VÍDEO | Deepfake como identificar vídeos, imagens e áudios falsos

VÍDEO | Deepfake como identificar vídeos, imagens e áudios falsos
Deepfakes podem imitar rostos e vozes com alto grau de realismo e dificultar a identificação de conteúdos manipulados.

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Deepfake parece real, mas pode ser falso

Imagine receber no celular um vídeo de alguém conhecido. A pessoa aparece, fala, olha para a câmera e tudo parece normal. Mas será que aquele conteúdo é realmente verdadeiro?

Com o avanço da inteligência artificial, imagens, vídeos e vozes podem ser criados ou modificados com alto grau de realismo. É o chamado deepfake, uma tecnologia que pode alterar rostos, vozes e movimentos para fazer uma pessoa parecer dizer ou fazer algo que nunca aconteceu.

Conteúdos manipulados estão em alta

O problema já faz parte do ambiente digital. Um levantamento do Observatório Lupa, divulgado pela Agência Brasil e citado no roteiro do Panorama Pontual, apontou que os conteúdos falsos criados com inteligência artificial mais que triplicaram no Brasil entre 2024 e 2025.

Foram registrados 159 casos em 2025, contra 39 em 2024.

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Entre os riscos está o uso de imagens e vozes de pessoas conhecidas para criar conteúdos que parecem legítimos. Um vídeo pode simular uma declaração que nunca foi feita, enquanto uma voz clonada pode ser utilizada para tentar convencer alguém a fornecer informações ou realizar um pagamento.

A origem do conteúdo é fundamental

Reconhecer a pessoa que aparece em um vídeo não é suficiente para confirmar a informação.

Antes de acreditar ou compartilhar, é importante verificar quem publicou, se existe uma fonte oficial, se outros veículos confiáveis divulgaram a mesma informação e se o conteúdo é realmente atual. Essas verificações também ajudam a identificar materiais antigos ou fora de contexto.

Outro ponto de atenção é a urgência. Mensagens que pressionam o usuário a clicar, pagar ou compartilhar imediatamente exigem cuidado redobrado. Frases como “compartilhe agora” ou “faça o pagamento imediatamente” podem fazer parte de uma tentativa de golpe.

Clonagem de voz pode aumentar os riscos

Dados divulgados pela Agência Brasil em agosto de 2026, também citados no roteiro, apontaram que a engenharia social representou 40% dos indícios de fraudes financeiras registrados no Brasil no primeiro semestre daquele ano.

A reportagem mencionada no material também cita o uso de clonagem de voz, imagens e documentos falsificados para tornar as abordagens mais convincentes.

Por isso, diante de um pedido envolvendo dinheiro, dados pessoais ou acesso a contas, a confirmação deve ser feita por outro caminho.

Se receber um áudio de alguém conhecido, por exemplo, uma ligação direta pode confirmar a identidade. No caso de uma mensagem de empresa, a orientação é procurar o canal oficial em vez de acessar diretamente um link recebido. Já uma promoção ou anúncio envolvendo uma personalidade deve ser conferido na publicação original.

Deepfake também pode afetar a privacidade

Os riscos não estão restritos às fraudes financeiras. A tecnologia também pode ser usada para alterar a imagem ou a voz de uma pessoa sem autorização, fazendo parecer que ela participou de determinada situação ou fez uma declaração.

Esse tipo de manipulação pode atingir a privacidade, a proteção de dados e a reputação de quem teve a imagem utilizada. A ANPD publicou, em julho de 2026, um Radar Tecnológico específico sobre deepfakes, abordando riscos relacionados à privacidade, à proteção de dados e à segurança no ambiente digital.

Ao mesmo tempo, nem todo conteúdo produzido ou alterado por inteligência artificial é uma fraude. A tecnologia também possui aplicações legítimas em áreas como publicidade, educação, entretenimento e produção audiovisual. A questão está no contexto e na intenção do uso.

Como verificar um conteúdo suspeito

Diante de um vídeo, áudio ou imagem que pareça duvidoso, alguns cuidados podem ajudar:

  1. Pare antes de compartilhar.
  2. Confira quem publicou.
  3. Verifique a data e a origem.
  4. Procure a informação em canais oficiais e veículos confiáveis.
  5. Se houver pedido de dinheiro ou dados, confirme a identidade por outro meio.

Não é necessário desconfiar de tudo o que aparece na internet. O importante é não confundir uma aparência convincente com uma comprovação.

Um vídeo pode parecer verdadeiro. Uma voz pode soar familiar. Uma imagem pode mostrar exatamente aquilo que alguém quer que você acredite. Mas nenhuma dessas características, sozinha, confirma que o fato realmente aconteceu.

Antes de compartilhar, a pergunta é simples: eu sei que isso é verdadeiro ou apenas parece verdadeiro?

Davi Martins Farias

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