VÍDEO | Comer olhando o celular pode afetar a percepção de fome e saciedade

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Comer olhando o celular pode afetar a percepção de fome e saciedade
Comer enquanto olha o celular já faz parte da rotina de muitas pessoas. Durante o almoço ou jantar, é comum dividir a atenção entre o prato e vídeos, mensagens, notícias ou redes sociais. Mas essa distração pode influenciar a forma como o organismo percebe a fome e a saciedade.
Especialistas citados pelo site argentino Infobae apontam que a alimentação não envolve apenas a qualidade e os nutrientes dos alimentos. A quantidade, a velocidade da refeição, o horário e, principalmente, o contexto em que a pessoa come também podem fazer diferença.
Quando a atenção está concentrada na tela, o cérebro precisa dividir o foco entre diferentes estímulos. Com isso, a pessoa pode prestar menos atenção ao sabor, à quantidade consumida e aos sinais que indicam que está satisfeita.
Distração pode influenciar refeições posteriores
Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2026, citada pela especialista Marianela Aguirre Ackermann, avaliou os efeitos de diferentes distrações durante as refeições.
Os resultados não indicam que toda pessoa que usa o celular enquanto come necessariamente vai consumir uma quantidade muito maior de comida. Quando diferentes tipos de distração foram analisados em conjunto, o aumento do consumo durante a própria refeição foi considerado pequeno.
O ponto de atenção apareceu depois.
Segundo a especialista, pessoas que haviam feito uma refeição distraídas apresentaram maior consumo em uma refeição posterior. Uma das possibilidades levantadas é que a menor atenção durante a alimentação prejudique o registro daquela refeição e dificulte o reconhecimento adequado dos sinais de fome e saciedade.
Na prática, isso pode fazer diferença em uma situação simples: terminar o prato sem perceber exatamente quando a fome deixou de existir.
O que aparece na tela também pode influenciar
O conteúdo consumido durante as refeições é outro fator que merece atenção.
Enquanto uma pessoa come, o celular pode exibir receitas, propagandas de restaurantes, aplicativos de entrega, produtos alimentícios e conteúdos publicados por influenciadores. Esses estímulos podem despertar vontade de comer mesmo quando não existe uma necessidade imediata de alimentação.
É aquela situação em que a pessoa não estava pensando em comida, mas depois de assistir a um vídeo ou ver uma imagem começa a sentir vontade de comer.
Os especialistas também chamam atenção para a exposição frequente a conteúdos relacionados a dietas, alimentos classificados como “bons” ou “ruins” e padrões de aparência. Dependendo da pessoa e do contexto, esse contato constante pode contribuir para maior insatisfação corporal ou preocupação excessiva com a alimentação.
Celular não é o único fator
Apesar dos possíveis efeitos da distração, o celular não deve ser tratado como a única causa de alterações no comportamento alimentar.
Estresse, ansiedade, falta de sono, rotina corrida e o próprio ambiente também podem influenciar as escolhas e a maneira como uma pessoa se alimenta.
Em algumas situações, comer de forma automática pode estar relacionado a um conjunto desses fatores. Por isso, observar o comportamento como um todo é mais importante do que simplesmente apontar o celular como vilão.
Alguns comportamentos podem servir como sinais de atenção, como comer muito rapidamente, comer sem fome, ter dificuldade para parar mesmo depois de satisfeito, não lembrar direito da refeição ou passar muitas horas sem comer e depois fazer uma refeição muito grande.
Esses sinais, isoladamente, não significam necessariamente que exista algum transtorno, mas podem indicar que vale observar com mais cuidado a relação com a comida.
Pequenas mudanças podem aumentar a atenção
Os especialistas não defendem que toda refeição precise ser feita sem qualquer distração ou que o uso do celular seja proibido.
A proposta é recuperar parte da atenção durante o momento de comer.
Antes de pegar o celular na próxima refeição, algumas perguntas simples podem ajudar: existe fome naquele momento? A atenção está no alimento ou na tela? É possível perceber quando começa a surgir a sensação de saciedade? Ao terminar, é possível lembrar da refeição ou ela passou de forma praticamente automática?
A ideia não é buscar uma alimentação perfeita, mas perceber melhor os próprios hábitos.
Porque comer não envolve apenas colocar o alimento no prato. Também envolve atenção, contexto e percepção dos sinais do próprio corpo.








