Briga entre coronel e delegado nas redes sociais provoca afastamento
A Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) afastou de suas funções o coronel da Polícia Militar, Edson Luís Sousa Melo Rocha, conhecido como Edson Raiado, e o delegado da Polícia Civil Carlos Alfama, após uma troca pública de acusações e ataques pessoais nas redes sociais. O caso ganhou repercussão após o coronel divulgar um vídeo, na última sexta-feira (17), criticando a atuação de Alfama em investigações que envolveram policiais militares.
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Em resposta, o delegado publicou outro vídeo rebatendo as declarações e fazendo novas acusações contra o oficial. Diante da repercussão, a SSP-GO, juntamente com a Polícia Militar e a Polícia Civil, emitiu uma nota conjunta confirmando o afastamento temporário dos dois servidores. De acordo com o comunicado, ambos ficarão à disposição das respectivas corregedorias enquanto suas condutas são apuradas.
Segundo a secretaria, a medida busca “preservar a integração entre as forças de segurança e garantir a efetividade no combate à criminalidade no Estado”.
Troca de acusações públicas
Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, o coronel Raiado afirmou que suas críticas não eram direcionadas à instituição Polícia Civil, mas sim ao comportamento do delegado. Ele chamou Alfama de “puritano hipócrita” e o acusou de agir movido por “vaidade travestida de justiça”.
“Não estou aqui para atacar a Polícia Civil, pelo contrário. Mas respeitar a instituição não é se calar diante de quem mancha o uniforme ou desonra o sistema de justiça”, declarou o coronel. “O delegado Alfama optou por se manifestar quando não foi chamado. Já tentou incriminar policiais militares com base em suposições e pré-julgamentos indevidos. Isso é pura vaidade.”
Raiado também insinuou que o delegado teria motivações políticas e histórico de conflitos internos:
“Você não representa os delegados sérios. Representa uma minoria ideológica que usa o distintivo para alimentar o ego. Enquanto você fala em cursinho, tem policial sangrando na rua para manter a paz.”
O delegado Carlos Alfama reagiu com tom igualmente duro, acusando o coronel de divulgar trechos de interrogatórios oficiais e ultrapassar limites legais.
“Coronel, lave a sua boca para falar de mim. Você é um personagem”, respondeu Alfama. “Eu estou há quatro anos numa delegacia de homicídios, com mais de uma centena de homicidas presos. Enquanto isso, o senhor pedia licença para ser segurança de candidato político. Sua competência é tão grande que o candidato levou uma cadeirada do Datena.”
Em outro trecho, Alfama afirmou que o coronel usa as redes sociais para autopromoção e fins políticos:
“Esse personagem que o senhor criou para ser digital influencer só engana paisano. Dentro da polícia, todos conhecem suas aspirações partidárias.”
O delegado concluiu dizendo considerar “vergonhoso” que dois representantes das forças de segurança discutam publicamente, mas afirmou que não deixaria de responder a “ataques pessoais disfarçados de crítica institucional”.
Posição oficial da SSP-GO
Na nota conjunta assinada pelo secretário de Segurança Pública, Renato Brum dos Santos, pelo comandante-geral da PM, coronel Marcelo Granja, e pelo delegado-geral da Polícia Civil, André Gustavo Corteze Ganga, as instituições afirmaram não compactuar com “posturas individualizadas de agentes públicos” que possam comprometer a boa relação entre as forças de segurança.
O documento ressalta que a medida de afastamento visa manter a harmonia e o foco no combate à criminalidade:
“Com o foco na manutenção da integração entre as forças e no combate efetivo à criminalidade, ambos os agentes públicos foram afastados e ficarão à disposição dos órgãos correcionais para apuração de suas condutas.”
A SSP-GO reforçou que “tais condutas pontuais não abalam a integração entre as instituições” e reafirmou o compromisso com a manutenção da ordem pública e o respeito mútuo entre as corporações.
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