Mercado de ovos ganha valor agregado e se torna estratégico no varejo alimentar

Mercado de ovos ganha valor agregado e se torna estratégico no varejo alimentar

O mercado de ovos no Brasil passa por uma transformação significativa e deixa de ser visto apenas como um produto básico para assumir posição estratégica no varejo alimentar. O movimento é impulsionado pelo aumento do consumo, pela busca por alimentos mais saudáveis e pelo avanço de produtos com maior valor agregado.

A mudança de percepção reposiciona o ovo como uma proteína de alto valor nutricional, ampliando sua presença nas gôndolas e estimulando o lançamento de linhas premium e novos formatos de consumo. A categoria, que antes competia principalmente por preço, agora ganha força por atributos como qualidade, origem e benefícios à saúde.

Segundo Mariana Ellner Parra, diretora Comercial, Logística e S&OP da Mantiqueira Brasil, a expectativa é que o consumo nacional cresça 7% neste ano. A projeção indica que o Brasil deve atingir a média de 307 ovos por habitante até 2026, um avanço expressivo de 70% em relação a 2014.

De acordo com a executiva, fatores como a valorização da saudabilidade, o fortalecimento da imunidade e a popularização de dietas hiperproteicas contribuem diretamente para esse crescimento. Além disso, o avanço de medicamentos à base de GLP-1, voltados ao emagrecimento, também influencia o aumento da demanda por proteínas, já que exigem maior ingestão para preservação da massa muscular.

Dentro desse novo cenário, produtos com diferenciação ganham destaque. Ovos provenientes de sistemas com foco em bem-estar animal, sustentabilidade e maior valor nutricional passam a ocupar mais espaço no varejo. Linhas como ovos de galinhas livres e orgânicos registram crescimento consistente, acompanhando o novo perfil de consumo.

Outro segmento em expansão é o de ovos enriquecidos com nutrientes como Ômega 3 e selênio, atendendo consumidores que buscam alimentos mais completos do ponto de vista nutricional. A decisão de compra, que antes era baseada principalmente no preço, passa a considerar também fatores como confiança na marca, propósito e qualidade percebida.

A sustentabilidade e o bem-estar animal deixam de ser apenas diferenciais e passam a representar valores alinhados ao estilo de vida dos consumidores. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por alimentos que combinem saúde, sabor e experiência de consumo.

No campo da inovação, o setor também avança com o desenvolvimento de novos produtos. Um dos exemplos é a criação de bebidas proteicas prontas para consumo à base de clara de ovo, que utilizam tecnologia para garantir estabilidade durante o processamento térmico. Esses produtos apresentam perfil nutricional com baixo teor de gordura, ausência de lactose e redução de carboidratos, posicionando-se como alternativa entre suplementos tradicionais e bebidas vegetais.

Apesar do crescimento, especialistas apontam desafios no varejo. A categoria ainda enfrenta problemas como baixa atratividade visual e pouca valorização estratégica dentro das lojas. A recomendação é investir em exposição mais organizada, comunicação clara e experiências que aproximem o consumidor do produto.

Estratégias como reorganização das gôndolas, uso de mídia no ponto de venda e ações educativas podem contribuir para aumentar o giro e a percepção de valor. Produtos premium, por exemplo, podem ser melhor explorados visualmente, destacando características como coloração da gema e origem.

Com a combinação entre inovação, saudabilidade e premiumização, o mercado de ovos tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos, consolidando-se como uma das categorias mais dinâmicas do varejo alimentar brasileiro, com reflexos diretos também em regiões produtivas do interior, como o sudoeste goiano.

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Gessica Vieira

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