Inclusão ainda enfrenta desafios: diretora da Escola Érica de Melo alerta para falta de rede de apoio em Jataí
A diretora da Escola de Ensino Especial Érica de Melo, Léia Soares do Prado Gomes, participou de entrevista no programa Panorama e falou sobre os desafios da inclusão de pessoas com deficiência em Jataí. Segundo ela, apesar dos avanços no acesso à educação, ainda faltam estrutura, profissionais especializados e uma rede de apoio mais forte para atender alunos e famílias.
Durante a conversa, Léia destacou que a escola especializada tem um papel diferente das escolas regulares e que muitas crianças ainda enfrentam dificuldades para se adaptar ao sistema tradicional de ensino.
Escola especializada atende quase 200 alunos em Jataí
Atualmente, a Escola Érica de Melo atende cerca de 160 alunos da rede estadual e 24 do município, número que deve crescer com o aumento dos diagnósticos de deficiência, principalmente do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Segundo Léia, a escola passou recentemente por mudanças estruturais e ampliou o atendimento a crianças menores graças a um convênio com a prefeitura.
“Estamos começando a receber alunos entre 5 e 9 anos. Ainda é um número pequeno, mas temos muita vontade de crescer e ampliar esse atendimento”, explicou.
A escola também oferece serviços como fisioterapia e hidroterapia, que atendem alunos e pessoas carentes da comunidade.
Inclusão escolar ainda enfrenta dificuldades na rede regular
Apesar de o acesso à educação estar garantido por lei, Léia afirma que muitas escolas ainda não estão preparadas para receber estudantes com deficiência.
Segundo ela, é comum que famílias procurem a Escola Érica de Melo depois que a criança enfrenta dificuldades na rede regular.
“Hoje existe o acesso à matrícula, mas os desdobramentos ainda são difíceis. Muitas escolas têm dificuldade de acolher e atender esse aluno com as adaptações necessárias”, afirmou.
A diretora explicou que a escola especializada trabalha com uma metodologia diferente, focada principalmente na autonomia e na qualidade de vida do aluno, e não apenas no aprendizado acadêmico tradicional.
Autonomia é prioridade para alunos com deficiência
De acordo com Léia, muitos alunos atendidos na escola possuem limitações que tornam inviável o acompanhamento do currículo tradicional.
Por isso, o foco da instituição é desenvolver habilidades essenciais para o dia a dia.
“A nossa proposta é trabalhar a autonomia. Ensinar a pessoa a se virar no cotidiano, ir ao mercado, reconhecer dinheiro, ter independência dentro das possibilidades de cada um”, explicou.
Esse modelo permite que os estudantes desenvolvam mais segurança e autonomia para viver em sociedade.
Crescimento nos diagnósticos de autismo preocupa especialistas
Um dos pontos destacados na entrevista foi o aumento significativo no número de diagnósticos de autismo.
Segundo a diretora, entre os alunos mais novos atendidos pela escola, cerca de 90% possuem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, muitas vezes acompanhado de outras condições, como:
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TDAH
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Transtorno Opositivo Desafiador (TOD)
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Deficiência intelectual
Para ela, esse crescimento acontece por dois motivos principais: melhora no acesso ao diagnóstico e aumento real de casos.
“Hoje também vemos muitos adultos descobrindo o autismo, porque na infância não tiveram acesso ao diagnóstico”, afirmou.
Falta de rede de apoio ainda é um grande desafio
Apesar dos avanços na inclusão, Léia destacou que a maior dificuldade enfrentada pelas famílias é a falta de uma rede de apoio estruturada, principalmente nas áreas de saúde e assistência social.
Ela relata que muitas mães enfrentam dificuldades emocionais e financeiras ao cuidar de filhos com deficiência.
“Tem mães que esperam até dois anos por uma consulta com psiquiatra pelo SUS. Depois do diagnóstico, ainda faltam terapias, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais”, explicou.
Segundo ela, muitas famílias também enfrentam dificuldades para custear tratamentos e terapias particulares.
Transporte e acesso à escola também são problemas
Outro desafio apontado pela diretora é o transporte escolar para alunos com deficiência.
Mesmo com quatro ônibus disponíveis para atender os estudantes, a escola ainda não consegue atender toda a demanda.
“Hoje temos alunos que não conseguem frequentar a escola porque não há transporte suficiente”, relatou.
Os veículos atendem estudantes de diferentes regiões da cidade, o que dificulta a logística.
Diretora deixa mensagem para famílias após diagnóstico
Além de diretora, Léia também é mãe atípica, ou seja, mãe de uma criança com deficiência. Segundo ela, essa experiência pessoal ajudou a direcionar sua trajetória profissional.
Durante a entrevista, ela deixou uma mensagem para famílias que acabaram de receber um diagnóstico.
“O diagnóstico não é o fim da vida do seu filho. Existe um momento de luto, isso é normal, mas busque apoio, converse com outras famílias e procure ajuda. Você não está sozinho.”
Ela também convidou a comunidade a conhecer o trabalho realizado pela escola.
“Quanto mais as pessoas conhecem a realidade da inclusão, maior é o debate e maiores são as chances de encontrar soluções.”
Por Gessica Vieira
Foto: Pn7
Jornalismo Portal Pn7
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