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Açúcar ganha nova rota para produção de químicos renováveis

Uma pesquisa da Embrapa Agroenergia desenvolveu uma rota biotecnológica que utiliza leveduras modificadas para transformar açúcares em ácido p-hidroxibenzoico, molécula de interesse para setores como farmacêutico, cosmético, agrícola e de materiais.

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O açúcar pode ganhar novas aplicações além da produção de alimentos, etanol e outros derivados tradicionais da cana-de-açúcar.

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Uma pesquisa desenvolvida pela Embrapa Agroenergia identificou uma rota biotecnológica capaz de utilizar açúcares como matéria-prima para a produção de compostos químicos de maior valor agregado.

O trabalho utiliza leveduras geneticamente modificadas para converter açúcares em ácido p-hidroxibenzoico, conhecido como PHBA, uma molécula que pode ser utilizada como precursora na fabricação de polímeros, fármacos, cosméticos e insumos agrícolas.

A pesquisa foi conduzida pela cientista da Embrapa Agroenergia Patrícia Abdelnur durante 18 meses no Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental, na Alemanha.

A estratégia combinou diferentes técnicas de análise molecular para entender como a levedura utiliza o açúcar dentro das células e identificar os pontos que limitam a produção do composto de interesse.

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Nos testes realizados em biorreatores de laboratório, os pesquisadores conseguiram direcionar a rota metabólica de uma linhagem modificada da levedura Saccharomyces cerevisiae para a produção do PHBA.

Para chegar ao resultado, o estudo utilizou análise de fluxo metabólico com carbono marcado, uma técnica que permite acompanhar o caminho percorrido pelo carbono dentro do metabolismo do microrganismo.

O trabalho também reuniu informações sobre mais de 28 mil metabólitos e aproximadamente 1.700 proteínas.

Açúcar como plataforma para novos produtos

A possibilidade de transformar açúcares em moléculas utilizadas pela indústria amplia o potencial da matéria-prima dentro da bioeconomia.

A proposta é utilizar o açúcar não apenas para a produção de produtos tradicionais, mas também como plataforma para a fabricação de compostos químicos que atualmente podem ter origem fóssil.

A identificação dos pontos de limitação da rota metabólica pode ajudar a reduzir perdas e aumentar a eficiência do processo.

Durante os experimentos, as condições de fermentação também foram ajustadas. A concentração de glicose no meio de cultivo, por exemplo, foi reduzida de 20 para 10 gramas por litro, mudança que ajudou a viabilizar os testes com marcadores isotópicos.

A pesquisa ainda está em fase experimental e não representa, neste momento, uma nova rota comercial para a produção de açúcar ou derivados.

O avanço está na identificação de mecanismos que poderão permitir, futuramente, maior eficiência na transformação de açúcares em produtos químicos de maior valor agregado.

Potencial para a bioeconomia

A tecnologia também poderá ser utilizada na busca por novos microrganismos capazes de produzir diferentes compostos a partir de matérias-primas renováveis.

A Embrapa mantém um banco com mais de 20 mil ativos de microrganismos da biodiversidade brasileira, que poderá ser explorado com a mesma abordagem.

A expectativa é identificar cepas com potencial para produzir bioinsumos, ingredientes funcionais, compostos aromáticos e outras moléculas de interesse para a agroindústria.

Para a cadeia sucroenergética, ampliar o número de produtos obtidos a partir dos açúcares pode representar uma nova frente de agregação de valor à biomassa.

Nesse modelo, o açúcar deixa de ser apenas um produto final e passa a funcionar como matéria-prima para diferentes rotas biotecnológicas.

O trabalho foi desenvolvido em parceria com o grupo liderado pelo pesquisador Jens Olaf Krömer, do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental, na Alemanha.

Uma nova proposta de pesquisa também foi submetida a uma agência de fomento para aplicar a mesma estratégia na produção de outro bioproduto.