AGORAVer todas

A chuva e o produtor de água

Enfim a chuva está chegando no cerrado goiano, após um longo e triste período de seca e incontáveis queimadas...

WhatsApp

Enfim a chuva está chegando no cerrado goiano, após um longo e triste período de seca e incontáveis queimadas. Estas atingiram tanto áreas produtivas quanto zonas de interesse ecológico, afetando a todos nós, com prejuízos à saúde da população, ao bolso do lavrador e à biodiversidade. De todo modo, não se pode esquecer que a chuva significa esperança, traz a água que Deus manda, sem a qual não há vida.

PUBLICIDADE
Semana Nacional de Trânsito 2026

Juntamente com esse retorno festejado, eis que se depara com uma outra boa notícia, veiculada pelo site da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Goiás – SECIMA. No último dia 20 de setembro, foram assinados os primeiros contratos do programa “Produtor de Águas”, envolvendo lavradores situados na Bacia do Ribeirão João Leite, localizada entre Goiânia e Anápolis, responsável por boa parte do abastecimento hídrico da capital.
Mas, como assim, “produtor de água”?! Afinal, esta não seria apenas uma dádiva divina que cai do céu e brota do chão? Sem dúvida! No entanto, aqueles produtores rurais que adotarem práticas e manejos conservacionistas do solo e dos recursos hídricos que banham suas glebas, acabam contribuindo para aumentar o nível de recarga fluvial dos leitos, mananciais e lençóis freáticos. Com isso, acabam “produzindo” mais água, já que aumentam a vazão dos córregos e rios, ao invés de deixá-la ir embora por meio da evaporação ou infiltração estéril no solo degradado.

Os benefícios resultantes dessas práticas ecologicamente inteligentes ultrapassam as pequenas divisas das terras particulares, pois, proporcionam ganhos à bacia hidrográfica inteira e, por consequência, a todos os usuários que a margeiam ou que dela retiram o líquido incolor. É como se cada um estivesse prestando um serviço ao meio ambiente e, de forma reflexa, trabalhando para toda sociedade, dona por excelência deste “bem de uso comum do povo”.

O programa “Produtor de Águas” busca incentivar aquelas práticas através de um instrumento de política ambiental conhecido como Pagamento por Serviços Ambientais – PSA, previsto no art. 41, I, do Código Florestal. Como funciona? Simples. O Estado apoia, acompanha de perto, presta assistência técnica, certifica e mede os resultados de projetos que combatam o assoreamento de corpos hídricos e a erosão de suas margens, como, por exemplo, o reordenamento de estradas, a recuperação/proteção de nascentes, reflorestamento, a construção de terraços e de bacias de infiltração.

Em contrapartida, o produtor é remunerado financeiramente, na proporção dos benefícios gerados, através dos recursos do Fundo de Meio Ambiente, por exemplo. Vale lembrar que antes desse mecanismo compensatório surgir, o produtor consciente que ajudava o meio ambiente, nada recebia por isso. Daí, a justiça inerente ao PSA em recompensar aqueles custos que, anteriormente, só recaiam sobre ele. Agora, sob essa nova visão, receberá pela manutenção e otimização dos serviços ecossistêmicos. O agropecuarista continuará produzindo alimentos, ao mesmo tempo, em que auxiliará no ciclo hidrológico.

PUBLICIDADE

Na cidade vizinha de Rio Verde já existe a Lei n. 6.033/2011, implementando a nível municipal o programa “Produtor de Águas”, o qual já obteve resultados positivos na Microbacia do Ribeirão das Abóboras (http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11860). Em Jataí, tem-se notícia recente de que o vereador Mauro Bento Filho propôs ao Executivo Municipal a criação do referido programa por aqui.

Em paráfrase a Declaração Universal dos Direitos da Água, pode-se dizer que ela é a seiva do nosso planeta. Não é somente uma herança de nossos predecessores. É, acima de tudo, um empréstimo que tomamos de nossos sucessores. Todos possuem a obrigação moral e jurídica em protegê-la, para as presentes e futuras gerações. O PSA pode se tornar uma importante ferramenta nessa missão, contribuindo, quem sabe, até para as próximas chuvas.

Álvaro Santos – OAB/GO 39.413
alvarosantos01@gmail.com
Bacharel pela UFG – Campus Jataí – GO
Advogado com atuação em Agronegócio, Meio Ambiente e Tributação Rural.
Especialista em Processo Civil e em Direito Ambiental pela UFPR.
Pós-graduando em Direito Tributário pelo IBET.
Jornalismo Portal Panorama

Aviso importante:
O conteúdo exibido nesta seção (COLUNA), apresenta caráter meramente informativo. O Portal PaNoRaMa não se responsabiliza pelo conteúdo dos colunistas que assinam cada texto, nem pelas decisões baseadas nas opiniões e recomendações contidas nesta seção. Assim, o Portal PaNoRaMa se exime de qualquer responsabilidade pelos eventuais danos ou prejuízos, de qualquer natureza, que possam decorrer da utilização deste conteúdo, por qualquer meio ou processo, e para quaisquer fins.

Sobre o autor

O Portal PaNoRaMa um dos pioneiros na área de cobertura de eventos e notícias de Jataí - Goiás, lançando uma forma única de trabalho e divulgação.

Ver matérias do autor