Mineiros: Incômodo e incerteza de alunos da Famp após descoberta de fraude
Quem ingressou em Medicina na Faculdade Mineirense (Fama), hoje Faculdade Morgana Potrich (Famp), em Mineiros, de maneira lícita se diz, no mínimo, incomodado com a situação da instituição. Há uma incerteza entre os alunos de como ficará o ano letivo. Em novembro do ano passado, cinco pessoas foram presas suspeitas de fraudar o vestibular e vender vagas para o curso no sudoeste goiano. Entre eles o ex-diretor da instituição.
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Pelo menos três vestibulares, segundo a Polícia Civil, teriam sido fraudados, o que beneficiou cerca de 180 estudantes. Pela investigação, que começou em 2015, o grupo cobrava até R$ 150 mil por vaga e teria lucrado R$ 9 milhões. De imediato, a atual diretoria da Famp havia prometido a expulsão dos alunos que tivessem envolvimento com o esquema de fraudes. A reportagem apurou que, até o momento, um aluno foi expulso no dia 23 de dezembro. A principal reclamação dos alunos e pais, agora, é que os estudantes citados na investigação estão se matriculando.
Um empresário de Goiânia, que não quis se identificar com medo de perseguição à filha na instituição, diz que não admite que alunos “bandidos estudem com ela. Dói muito, mas eu não confio mais na instituição. É realmente uma situação incômoda”.
O pai ressalta ainda o esforço dela para conseguir passar no vestibular da Famp. “Minha filha conseguiu passar em primeiro lugar em uma federal em Engenharia de Alimentos. Não era o que ela queria. Largou e voltou para o cursinho. Um ano depois ela conseguiu ser aprovada em Medicina em Mineiros. Era a primeira turma ainda”, relata. “Ela ama o curso que faz, mas este sonho está virando pesadelo. Lembro quando ela recebeu o resultado, da alegria dela. Hoje o que vejo é tristeza.”, complementa.
O investimento, segundo ele, é de cerca de R$ 8 mil de mensalidade. No entanto, o empresário não sabe se ela permanecerá no curso.
Revolta
Há ainda a indignação dos estudantes que prestaram o vestibular e não passaram. É o caso de Beatriz Soares que, como ela diz, teve boa pontuação no vestibular, mas por um ponto de diferença não conseguiu a sonhada vaga. “Vim de Altamira (PA) para Goiânia para fazer vestibulares na região e, mesmo com o cansaço e os gastos, me dediquei muito a cada um. O que mais cheguei perto foi o de Mineiros. Mas é revoltante lidar com isso! É frustrante! Se tivesse sido chamada, como de fato era pra ter sido, eu seria a pessoa mais realizada do mundo”, diz.
Como resposta à Beatríz, a Famp, por uma rede social, respondeu que “todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas para que nenhum vestibulando ou aluno seja prejudicado.”
Do O Popular
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