Brasil ocupa primeira colocação no ranking de juros do cartão na América Latina

Segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, a Proteste, o Brasil ocupa a primeira colocação no ranking das maiores taxas de juros da América Latina. De acordo com a pesquisa, a taxa cobrada no rotativo do cartão de crédito é 10 vezes maior no Brasil que no segundo colocado, o Peru, onde os juros médios cobrados do consumidor que entra no rotativo do cartão são de 43,7% ao ano, enquanto aqui, este valor é de 436%.

Na Argentina, país que sofre com uma inflação na casa de 40% ao ano, os juros cobrados no rotativo do cartão de crédito são de, no máximo, 43,29% ao ano, ainda segundo tal levantamento. Destaque ainda para a Venezuela que vive uma intensa crise financeira. Lá, existem limites máximos estabelecidos e por isso, o juro no cartão não pode ultrapassar 29% ao ano.

Ao todo, o levantamento feito pela Proteste avaliou 181 cartões de 17 bancos ou operadoras. Além disso, vários questionários foram enviados às instituições financeiras sobre as taxas de juros, porém, apenas quatro responderam. Situação diferente ocorre nos demais países, onde as taxas dos cartões estão disponíveis em sites, visto que há uma regulamentação sobre a cobrança.

Em nota, a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) afirmou que, no Brasil, grande parte das transações com cartão de crédito não tem juros, já que os brasileiros financiam suas compras por meio do parcelado sem juros. Ressaltou também que 85% dos brasileiros que usam cartão pagam a sua fatura em dia e apenas um entre dez usa o crédito rotativo em média por 12 dias.

Ainda segundo a Proteste, vários fatores podem explicar estas taxas de juros tão abusivas no cartão de crédito no Brasil quando comparadas a seis países da América Latina. De todas, a mais plausível é a falta de concorrência entre as instituições financeiras, que acabam cobrando da forma que querem. Por outro lado, as mesmas instituições afirmam que os argumentos para as taxas de juros variam do risco de inadimplência e outros fatores que elevam o custo dos bancos, como a carga tributária.

Rosana de Carvalho – Site PaNoRaMa

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Rosana de Carvalho

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