Mais de 57 mil endereços de bets ilegais entram na mira do governo em 2026

Mais de 57 mil endereços de bets ilegais entram na mira do governo em 2026

O Ministério da Fazenda já encaminhou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) pedidos para bloquear 57.691 endereços de internet associados a plataformas de apostas consideradas ilegais em 2026. O levantamento considera as solicitações feitas desde janeiro e mostra o avanço das medidas de fiscalização sobre o mercado clandestino de apostas online.

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Somente em setembro, foram 10.590 domínios incluídos nos pedidos de suspensão. O volume é o maior registrado em um único mês desde o início da série de bloqueios, superando abril, quando 10.240 endereços foram encaminhados para interrupção de acesso.

Uma das remessas mais recentes reuniu 1.301 endereços. O material foi encaminhado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão do Ministério da Fazenda responsável pela regulação e fiscalização do setor.

Os endereços são considerados irregulares por oferecerem apostas de quota fixa em desacordo com as normas estabelecidas para o mercado brasileiro. A relação inclui domínios com diferentes terminações, como “.com”, “.com.br”, “.app” e “.vip”.

O número de endereços não corresponde necessariamente à quantidade de empresas ou casas de apostas. Uma mesma operação pode utilizar diversos domínios para disponibilizar seus serviços na internet.

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Como funciona o bloqueio

A Secretaria de Prêmios e Apostas identifica os endereços que devem ser retirados do alcance dos usuários brasileiros e encaminha as determinações à Anatel.

A agência distribui as ordens às empresas responsáveis pelo fornecimento de internet fixa e móvel, que executam o bloqueio em suas redes. A legislação também prevê procedimentos envolvendo o Comitê Gestor da Internet no Brasil para ordens relacionadas a domínios “.br”.

O bloqueio impede o acesso aos endereços a partir das redes alcançadas pela determinação, mas não significa necessariamente que os sites tenham sido apagados ou que seus servidores tenham sido desligados.

Fiscalização também mira o dinheiro

A estratégia do governo não está limitada ao bloqueio de sites. Em setembro, a Secretaria de Prêmios e Apostas publicou uma nova portaria para ampliar os mecanismos de prevenção e repressão às transações financeiras relacionadas à exploração irregular de apostas.

As medidas incluem a identificação de meios utilizados para receber valores, a interrupção de fluxos financeiros ligados à atividade irregular e a possibilidade de bloqueio de contas relacionadas a operações consideradas ilegais.

A ofensiva ocorre em meio a mudanças nas regras das apostas online no país. Em 25 de setembro, o governo federal editou uma medida provisória que determina o encerramento da atividade das bets no Brasil. Segundo informações divulgadas pelo governo, as plataformas deverão sair do ar a partir de 6 de outubro, e aquelas que permanecerem disponíveis poderão ser alvo de novos bloqueios.

O governo também informou que pretende intensificar o rastreamento das plataformas que continuarem operando, incluindo a identificação dos recursos movimentados por esses serviços.

Com isso, o bloqueio de endereços digitais passa a integrar uma estratégia mais ampla de fiscalização, que envolve telecomunicações, sistema financeiro e órgãos de segurança pública.

Gessica Vieira

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