Casos de estelionato contra idosos crescem 32% em Goiás impulsionados por uso de IA
Os crimes de estelionato contra pessoas idosas cresceram de forma expressiva em Goiás. De acordo com dados da Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso (DEAI), houve aumento de 32% entre 2024 e 2025. Isso representa cerca de 60 novas ocorrências no período.
Além disso, o levantamento inclui registros feitos diretamente na delegacia e também por meio do Disque 100, do Ministério da Justiça. Os números acompanham tendências observadas em âmbito estadual e nacional.
Uso de tecnologia impulsiona crimes
Segundo o delegado Alexandre Bruno de Barros, titular da DEAI em Goiânia, o avanço dos golpes está ligado à sofisticação das fraudes eletrônicas. O uso crescente de tecnologias, incluindo inteligência artificial, tem ampliado o alcance dos criminosos.
“O alvo principal são os idosos. São crimes bem elaborados, que exploram a confiança e a vulnerabilidade dessa população”, afirmou em entrevista.
Golpes bancários lideram ocorrências
Entre os golpes mais comuns estão os praticados por falsos funcionários de bancos. Nesses casos, o idoso recebe uma ligação sobre uma suposta compra irregular no cartão de crédito.
Após negar a transação, os criminosos informam que o cartão será cancelado. Em seguida, enviam um mototaxista para recolhê-lo. Durante o contato, a vítima fornece a senha. Com isso, os golpistas realizam compras e empréstimos sem autorização.
Além disso, também foram registrados golpes envolvendo falso sequestro de parentes. Essas abordagens geram pânico e induzem transferências financeiras imediatas.
Abandono de idosos também cresce
Outra prática que apresentou aumento em Goiás foi o abandono de idosos. A alta foi de 12%, o que representa cerca de 40 ocorrências a mais no período analisado.
Segundo o delegado, esse tipo de crime ocorre, em geral, quando o idoso mantém suas faculdades mentais preservadas. Nesses casos, a própria vítima consegue comunicar a situação às autoridades. Em outras situações, vizinhos e terceiros percebem a negligência. Além do abandono, os responsáveis também podem responder por maus-tratos.
Queda em outros tipos de violência
Por outro lado, alguns indicadores apresentaram redução em 2025. Os crimes de exploração financeira praticados por familiares tiveram queda de 25% em comparação com 2024. Entre eles estão o uso indevido de cartões bancários e de benefícios previdenciários.
De acordo com a DEAI, o resultado é atribuído ao trabalho investigativo e às ações preventivas realizadas ao longo do ano.
Redução de casos graves e mortes
A maior queda ocorreu nos casos em que abandono e negligência resultaram em lesão corporal gravíssima ou morte. Esse indicador diminuiu mais de 50%, com redução superior a 120 ocorrências.
Essas situações envolvem idosos que perdem completamente a autonomia. Muitos ficam acamados e dependem integralmente da família. No entanto, acabam sem cuidados básicos, alimentação ou assistência médica.
Menos abandonos em hospitais
Também houve diminuição nos casos de abandono em unidades hospitalares. Em 2025, a redução foi de aproximadamente 18%. Isso representa cerca de 22 ocorrências a menos em relação ao ano anterior.
Esse crime ocorre quando familiares internam o idoso por motivos de saúde e não retornam após a alta médica.
Ações preventivas da Polícia Civil
Diante do avanço dos golpes, a Polícia Civil lançou, no fim de 2025, uma cartilha educativa. O material traz orientações sobre os dez principais tipos de estelionato contra idosos. O foco está especialmente nos crimes praticados por meios eletrônicos.
Além disso, a cartilha foi elaborada com linguagem simples e formato ilustrado. Ela é voltada a idosos, familiares e cuidadores.
Para 2026, a tendência ainda inspira cautela. Por isso, a Polícia Civil realizou reunião recente com todas as forças de segurança. O objetivo foi discutir estratégias de investigação e prevenção. “Não é só identificar os autores, mas evitar que o crime aconteça”, destacou o delegado.
População idosa em Goiás
Segundo o Censo 2022, 13,7% da população de Goiás tem 60 anos ou mais. Isso corresponde a 964.417 pessoas. O estado ocupa a 15ª posição entre as 27 unidades da Federação em proporção de idosos.
Quando comparado aos estados do Sul e Sudeste, Goiás mantém perfil populacional ligeiramente mais jovem. Entre os municípios goianos, Aurilândia lidera com 27,7% de idosos. Em seguida aparecem Amorinópolis (27,3%), Aloândia (25,9%), Moiporá (25,6%) e Córrego do Ouro (25,2%).
A capital Goiânia registra 15,1%. Já Anápolis aparece com 14,2%, enquanto Aparecida de Goiânia tem 10,5%. A média nacional é de 15,8%. Outro dado do Censo aponta que 93,2% da população idosa goiana vive em áreas urbanas, percentual superior à média nacional de 87,4%.
Por Gessica Vieira
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7
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